segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Verdade

Não há nada sobre mim
que eu não desconheça.
A palma da minha mão
é o mapa de terras distantes.

Eu sou a língua morta
da tribo viva.
Eu sou o curupira
do mêi do mato.
Eu sou o fumo forte
 no pulmão fraco.
O tiro certeiro
no peito errado.

Não há nada sobre mim
que eu não desconheça.
A estrutura de  minha casa,
 forma um labirinto.

Eu sou o susto,
o grito,
 o inesperado,
Colecionando crenças
e rejeitando a fé.
Não há nada sobre mim
que eu não desconheça.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Mudança

Se um dia as lágrimas secarem
 e a correnteza parar,
se um dia as vozes disserem sim e as placas disserem não,
se um dia, garras cruéis perfurarem meu negro coração:
Abrirei covardemente as portas que fechei,
me esconderei da verdade,
enganarei o sigilo,
fugirei,
mergulharei no infinito da eternidade,
as profundezas de qualquer rio nilo.

Silêncio

Na verdade, as palavras somem
e fico em silêncio...
O amor que trago no peito
apenas palpita sem data,
 foge sorrateiro aos calendários alheios
e ama em silêncio...
 O amor (pelo menos o meu) é um silêncio
que grita sempre que passa.