sexta-feira, 30 de outubro de 2015


Ainda meus joelhos me põem à devida disposição de invernos tropicais e gritos celestes do inferno.
Por que meus anjos não tropeçam nas batinas e caem bolando misturando-se aos homens?

Tudo tem se desfigurado.
Desde as palavras enrijecidas pelo tempo
às esperanças desfiguradas por espadas.
As emoções cada uma em sua escala tem um código que embala.
O tudo virando nada.

Depois, por mais mistérios concedidos em meus sonhos,
tive revelações de como eu seria ontem se não tivesse lido hoje o futuro em qualquer jornal.
Por que meus olhos não resistem as noticias e lhes tranformam no bem que lhe convier?

Nada maior que o dedo no olho do inimigo;
O que eu não quero que suba no mesmo ônibus que eu.
Metade do ano já é quase o ano inteiro,
e as emoções e as esperanças e as oportunidades
viraram.

Agora eu não tenho mais paciência para piedade,
não tenho mais paciência para a devoção,
paciência para o aprendizado,
só resisto ainda por sonhos
que insistem em grudar nas minhas costas
pesando e dizendo: continua continua!


À parte isso teria largado tudo e congelado no tempo até o dia do arrebatamento.

Impossível.

"À parte isso" é parte de mim.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Sumo

Como dói-me no bolso, ó, meu amor.
Dói-me a amargura do nenhum tostão.
Pergunto ao patrão, Doutor, tem cura?
Ele, sem ternura, me diz sempre, Não.

Como doem-me os sonhos e os pesadelos.
Todos que almejo tem no camelô.
Pergunto ao senhor, Senhor, o preço!
Ele, Por apresso, um milhão e meio,
sem apresso mesmo, um milhão e meio e dez.
Antes que me diga,
Quer que embrulhe ou vai na mão?,
já dou meia-volta mio mirando o chão.

Em a casa TV-MENDIGA, diz mil modo geniais
maneiras de me enforcar em consumos desleais
jogo  de panela brinco mochila computador
canivete distintivo desatino desamor
chocolate em bomba em pó
cocaína red bull
galosina
inseticida
vitamina
dissabor.