E na carta dizia: Peço que pare, agora, imediatamente, de amar a outro e me ame. Não tenho condições de te amar sozinho. Não vê o quanto sou ser pequeno? E o frio que sinto? E o frio que faz? E teu sopro, onde está?
Peço que venha, agora, imediatamente, tirar a roupa e roçar-se inteira em mim. Ou achas saudável o desejo que sinto em te ver passar?
com gozo e fúria, eu.
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Jogo fácil do olho da rua
Estava meditando quando fui interrompido pelo ruído de um fulano.
Volto-me, de arma em punho. Disparo.
Amar é um ato político;
Respeitar é um ato político;
Correr, não devo,
eles vão desconfiar, é um ato político.
Volto-me, de arma em punho. Disparo.
Amar é um ato político;
Respeitar é um ato político;
Correr, não devo,
eles vão desconfiar, é um ato político.
Fila única
No domingo os coitados vão à missa
Os brilhosos vão à festa.
Porque segunda
aos brilhosos, dia de folga,
aos coitados, dia de pressa.
Os brilhosos vão à festa.
Porque segunda
aos brilhosos, dia de folga,
aos coitados, dia de pressa.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
Retirada estratégica
Nesse momento nem tanto
mas ontem
fui vítima de uma raiva.
Ai!
A crise econômica mundial instalou-se aqui em casa
e não vai embora nem que...
Até lá
bla bla bla bla bla bla.
Penso: Pr'onde vou
com tanto vazio existencial no bolso ?
Nenhuma arma tenho para carregar e sair atirando na cabeça de todos nós amém.
(Esse poema acabou sem terminar pois o poeta morreu de fome. Feliz natal!)
mas ontem
fui vítima de uma raiva.
Ai!
A crise econômica mundial instalou-se aqui em casa
e não vai embora nem que...
Até lá
bla bla bla bla bla bla.
Penso: Pr'onde vou
com tanto vazio existencial no bolso ?
Nenhuma arma tenho para carregar e sair atirando na cabeça de todos nós amém.
(Esse poema acabou sem terminar pois o poeta morreu de fome. Feliz natal!)
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
POEMA DE FIM DE ANO
Queria andar de carro
trocar de roupa
ter uma arma e rádio bom
ter uma bicicleta bem bonita
só pra não andar com ela por ai.
Queria ter e dizer: - Não tenho roupa pra sair.
Queria, na verdade, ir vinte vezes consecutivas no brinquedo do shopping.
Queria mesmo ir vinte vezes consecutivas irritantes no brinquedo do shopping.
Queria ter uma mãe em casa e um pai não sei por onde com um cartão de crédito aqui.
Queria não precisar pagar o cartão de crédito.
Queria ter, que esse negocio de ser não tá com nada.
Cansei.
Cansei, porra!
Cansei de sonhar com a mega-sena da virada.
trocar de roupa
ter uma arma e rádio bom
ter uma bicicleta bem bonita
só pra não andar com ela por ai.
Queria ter e dizer: - Não tenho roupa pra sair.
Queria, na verdade, ir vinte vezes consecutivas no brinquedo do shopping.
Queria mesmo ir vinte vezes consecutivas irritantes no brinquedo do shopping.
Queria ter uma mãe em casa e um pai não sei por onde com um cartão de crédito aqui.
Queria não precisar pagar o cartão de crédito.
Queria ter, que esse negocio de ser não tá com nada.
Cansei.
Cansei, porra!
Cansei de sonhar com a mega-sena da virada.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
HORIZONTAL
Falta ar
para alcançar
a légua.
Falta braço
para abraçar
a distância.
Falta mão
para segurar
a ânsia.
Falta o meu
corpo
sobre o teu
corpo
sobre o meu
e respirar e respirar
dentro
de um beijo
profundo.
para alcançar
a légua.
Falta braço
para abraçar
a distância.
Falta mão
para segurar
a ânsia.
Falta o meu
corpo
sobre o teu
corpo
sobre o meu
e respirar e respirar
dentro
de um beijo
profundo.
domingo, 14 de dezembro de 2014
Conto de solidão
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Foi muito fácil fazer o amor sair da minha sala. Apenas disse:
- Meu bem, não sofra!
quando dei por mim, ninguém em mim.
Até hoje, pena para voltar. Pena!
Até hoje, tudo que parece sol é lua.
Minha delicadeza busca em todos os ruídos,
qualquer "Meu bem, não sofra".
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
desnoitar-se
Lá vem eu
banhado, lavado,
sujo de mim.
Lá vem eu
depois de rodar,
gritar, pular,
chamar meu nome.
Lá vem eu
tropeçando em mim,
derrubando-me-confundindo.
Ó, lá vem eu
fugindo
de eu me perseguindo!
Lá vem eu
inundado, transfigurado.
Lá vem eu
de roupa nova.
Lá vem eu
sem mim.
E o que mudou?
Lá vem eu, mãe!
Maria!
Amanda!
Lá vem eu, má!
Por fim,
cansado,
venho-me sem voz,
no dia já claro
quase de cara
no espelho,
no chão.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
poema sonhante
Coragem, Coragem!
Ô Coragem , coragem, viu?
Ficastes ai prostrado porquê?
Eu sei que você tem planos
por debaixo dos teus panos
e depois de todos esses anos
nem coragem pra ter coragem?
Que é isso, Coragem?
Veio aqui perder a viagem?
Ontem mesmo tu tava lá
todo inteiro instigação.
Disse que ia
que queria
que faria
que teria
que veria
e cadê?
Coragem Coragem...
Melhor tu criar juizo.
Melhor tu criar coragem.
Amanhã, Coragem, eu vou
e tu vai ficar sozinho.
Ou tu segue teu caminho
vira logo passarinho
ou nem mesmo a coragem
vai me fazer esperar
a tua coragem chegar.
Acabou-se minha coragem.
Adeus , Coragem! coragem, viu?
Ô Coragem , coragem, viu?
Ficastes ai prostrado porquê?
Eu sei que você tem planos
por debaixo dos teus panos
e depois de todos esses anos
nem coragem pra ter coragem?
Que é isso, Coragem?
Veio aqui perder a viagem?
Ontem mesmo tu tava lá
todo inteiro instigação.
Disse que ia
que queria
que faria
que teria
que veria
e cadê?
Coragem Coragem...
Melhor tu criar juizo.
Melhor tu criar coragem.
Amanhã, Coragem, eu vou
e tu vai ficar sozinho.
Ou tu segue teu caminho
vira logo passarinho
ou nem mesmo a coragem
vai me fazer esperar
a tua coragem chegar.
Acabou-se minha coragem.
Adeus , Coragem! coragem, viu?
piano, amo
um menino amou
um piano de cauda
um menino
amou
profundamente
um piano de cauda
um menino mergulhou
nas tenras terras estranhas
por amor
ao piano de cauda
o menino que achava que compreendia
foi tocar num dia
um piano de cauda.
o piano
ali
ia de caaaanto
á ouuuutro
na imensa sala
um menino junto
um piano de cauda
um dedo tremendo
uma nota doce
doce
um dedo confiante
uma nota seria
um piano olhando
um dedo arrependido
quis reconciliar
nota grave ecoa
adeus adeus
adeus sem parar
um menino encolhe
um gato aparece
nada sabe gato
de piano de acorde
de amar
salta elegante
passeia sobre o piano
e que tons tão doces
conseguiu tocar
e o menino
por que
e o piano
a cantar...
um piano de cauda
um menino
amou
profundamente
um piano de cauda
um menino mergulhou
nas tenras terras estranhas
por amor
ao piano de cauda
o menino que achava que compreendia
foi tocar num dia
um piano de cauda.
o piano
ali
ia de caaaanto
á ouuuutro
na imensa sala
um menino junto
um piano de cauda
um dedo tremendo
uma nota doce
doce
um dedo confiante
uma nota seria
um piano olhando
um dedo arrependido
quis reconciliar
nota grave ecoa
adeus adeus
adeus sem parar
um menino encolhe
um gato aparece
nada sabe gato
de piano de acorde
de amar
salta elegante
passeia sobre o piano
e que tons tão doces
conseguiu tocar
e o menino
por que
e o piano
a cantar...
peixe morto
É peixe que não se pesca.
Coisa viva sem escama.
O amor - Exposto. Em riste.-
Não existe.
Algo provisório esse sujeito.
O momento ilusório do deslumbramento dos olhos.
Quando o amor acaba, n'água que não se nada,
a gente exclama:
- Que bonita a natureza morta!
Coisa viva sem escama.
O amor - Exposto. Em riste.-
Não existe.
Algo provisório esse sujeito.
O momento ilusório do deslumbramento dos olhos.
Quando o amor acaba, n'água que não se nada,
a gente exclama:
- Que bonita a natureza morta!
Nu
Fui andando para lá e para cá.
Espalhou-se muito de mim no chão.
Fui cantando
Fio da vida desfiou.
Minha roupa caiu.
Eu nu na multidão.
Silenciado, então,
me veio o verso:
Força imunda essa de escrever
coisas do meu peito que disperso,
verso que não deixo aparecer
n'água onde quero padecer,
fóssil que é o eu pronde regresso;
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