quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Organismo


A cidade em que vivo é, acima de tudo, grande.
E tem tantas coisas
quais minha natureza não consegue enumerar.
A cidade em que vivo tem pernas longas.
Acima de tudo pouca disposição.
Muitos bares, infinitos conhecidos,
Uma indiferença em cada avenida
E também muitos carros e motocicletas.
O suor e a irritação são nosso jeitinho de acariciar.
Ao visitante temos um bom banho,
Uma orla que não tem tamanho,
E todas as pirocas das mulheres na esquina.
E apesar de toda a violência,
A cidade em que vivo não me permite chorar.
Não há uma esquina qualquer,
Uma viela, uma calçada,
Um pé de muro, uma sombra de jambeiro
Que me receba
Me abrace e console meu choro.
Por isso, sempre que preciso chorar,
Regresso ao estrangeiro.

sábado, 8 de agosto de 2015

Maioridade Penal

Aos meus pais
sugiro uma viagem ao Uruguai
uma conversinha com Iansã
um baseadinho de manhã
uma boa saúde, uma
boa aposentadoria
saudade.

Puer, pueril, punhado
pus o mundo pr'outro lado.

amor que te amo entranhas
que te amo na carne de dentro.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Qual palavra indo embora ora se turve a imagem
cresce o corpo em pasmas rugas.