À luz da modernidade a angústia tende a diversificar-se infinitamente. Soube, inclusive, de um caso em que uma dor de dente deixou um homem amargurado para o resto da vida. Conquanto, dias antes, sua mulher havia lhe abandonado, deixando-o sem dinheiro casa filhos, e foi a maior festa.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Diálogo debaixo do céu
Deito sobre meu cansaço numa rede à tardinha. A tardinha amarelinha - tempo que não caio em mim. Balanço. Incapaz de redigir um discurso em defesa dos meus próprios ideais que não sei quais são mas os defendo com unhas e dentes. Mais unhas. Passo fácil por esse período de isolamento social. Moro em mim com tranquila palidez e medo algum que chova. Consigo repousar e dormir e fazer amizades que se rompem ao passar de exatos doze minutos, sem que ninguém sofra nem perceba ter sido amigo. E por mais que eu carregue comigo o cansaço, eu nunca canso. Nem no velório de meu avô, nem no dia que um grande amigo foi preso por tentativa de homicídio e muito menos nas três ou quatro vezes que eu saí de casa decidido a acabar com a merda de vida que eu supunha ter. Eu nunca estou cansado.
Não abraço os entes queridos e nem tenho olhos serenos para dentro de ninguém. Eu não sinto saudade de tempo algum. Não guardo lembrança de tempo algum. Já fui saudosista, mas deste tempo nada me vem à memória. Remexo daqui, bulo por acolá; tento me posicionar na história do meu tempo ou, ao menos, na história de meu país. Brasil... Eu, que não conheço o sentimento da convicção, guardo, com sangue, os meus próprios ideais, embora, ainda não saiba quais são. Vou a guerra.
Como posso analisar o choro da pessoa amada, o silêncio de minha vó, o requinte e o luxo que é a distância e a fome? Peso bem todas as palavras na minha balança quebrada. Pois que nasci mesmo pronto a cometer injustiças.
Não abraço os entes queridos e nem tenho olhos serenos para dentro de ninguém. Eu não sinto saudade de tempo algum. Não guardo lembrança de tempo algum. Já fui saudosista, mas deste tempo nada me vem à memória. Remexo daqui, bulo por acolá; tento me posicionar na história do meu tempo ou, ao menos, na história de meu país. Brasil... Eu, que não conheço o sentimento da convicção, guardo, com sangue, os meus próprios ideais, embora, ainda não saiba quais são. Vou a guerra.
Como posso analisar o choro da pessoa amada, o silêncio de minha vó, o requinte e o luxo que é a distância e a fome? Peso bem todas as palavras na minha balança quebrada. Pois que nasci mesmo pronto a cometer injustiças.
Assinar:
Postagens (Atom)
