sábado, 16 de agosto de 2014

POEMINHA infinito

Começa ali
onde eu todo silenciar
e inteiramente mundo a dentro,
olhos fitando meu vazio,
fui ler um poeminha.
Pensei assim: " Que mal me faz?
As frases são tão contidas,
caindo umas sobre as outras
e ler, assim, palavras poucas,
acaba logo
e tudo bem."
Fui lendo
o bonitinho poeminha.
Dizia umas coisas
tão parecidas com as minhas
que doía
que doía.
Rimava simples e sonoro
continuava,
repetia.
De repente, o maldito,
entra em meu peito
e grita e gira,
faz o que bem quer de mim
e repete
e continua
e reticências
e rima e vai.
Era um poema tão curtinho
de dor de amor,
ingênuozinho,
não acaba nunca mais.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Olhos póstumos

... e morriam meninos
como morrem baratas lá em casa.

Morria o Vitor na sexta-feira,
vindo não sei de onde,
indo não sei com quem.
Umas horas depois,
morria João também.

No sábado, foi Calebe
que morreu no futebol.
Dez tiros pelas costas
numa linda manhã de sol.
Umas horas depois,
morre João
e o sol é fogo da bala.

Já Gerson que logo cedo
foi liberado do velho lar,
morreu
feito um cão de rua
num beco com calazar.
Estava ele, alegremente,
comprando pedras,
ia fumar.

Lembro bem do eu-menino
no quanto era miúdo
no mundo que havia crescido.
E caminhando, surdo, mudo,
eu também tinha morrido.
Depois João, Depois tudo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O contrario do acaso

Tu procura poemas que dizem o que sentes.
Eu procuro sentir o que meus poemas dizem.
Tu na rua,
Eu na casa.
Tu na casa,
Eu na rua.
Tu na caça,
Eu na tua.
Tu na tua,
Eu na caça.
Tu acaba,
Eu começo.
Eu começo.
Eu começo.
Eu com medo,
Tu acaso.
Do acaso
Tu conhece.
Tu enxerga,
Eu embaço.
Tu no acaso
Do caso.
Curto
Prazo,
Curto!
Eu procuro poemas que dizem o que sinto.
Tu, procura sentir o que teus poemas dizem?