sábado, 12 de novembro de 2016

Um quiroprático confuso
Não soube dizer meu nome
Se era bi
E como come
Mal pegou na minha mão
Minha virtude dentro da tua
Vitrola

                                    Eu perdi.
O amor é mântrico
Ele repete ele repete
Ele repete ele repete
elerepelerepelerepele
Alguma coisa que dissesse por mim
 Que me desse fôrma
Como um quadro claro
Que te despertasse por certeza

Uma palavra fria
Fome água
Amor

Mas poeira não dá trégua para
Olho aberto
Dá vento

Talvez se fossemos mais humanos
O amor morresse
 Numa brincadeira

“pq” subir naquele andar

Tirar a lâmpada


Toda gente é passageira
quem sabe nós
Agora mesmo o maior descompasso nos oculta
E não sabemos nada sobre o outro
E é uma dor esse segredo
Eu quero te ter guardado
Filha
Quando dissermos
Sempre sempre e nunca
Ninguem vai voltar

terça-feira, 18 de outubro de 2016

carinho

Por cima de tu
Por sobre a grande ideia
O grande plano
Por cima do panamá
Por cima das fronteiras
Por cima da vontade
Por cima de quem me dera
Por cima do mundo também
 E por cima dos nossos pais
E de algum salário
Nosso amor de jovem dócil
Reverbera.
A quarta face de alguém
Dando carinho
 Ou transando na rua
Ou fazendo filho
 Ou sendo besta
Ou sendo reprimido
Ou babando de raiva
Mas sempre dando algum sentido pra coisa.
Criando a vida em cima
De inverdades.
Passageiro.
Reverberando o ano inteiro
E não sei se volta.
Mas se voltar,
Alguém vai ficar confuso.
 Ou inquieto.
Inquieto pelo menos.
 Inquieto depressa.

Reverbera sobre nós

domingo, 9 de outubro de 2016

A mão no pescoço
A mão grande
Em volta do pescoço
Dizendo fique comigo
Seu osso querido
Seu osso fedido
Seu ouço
Amor
Na mão em volta
Do pescoço
Em volta
 Envolta
Do pescoço
Seu ouço
 Seu osso
É amor.

domingo, 26 de junho de 2016

Quando tu me deu as costas, havia
 uma lagriminha  escorrendo tuas costelas
 indo salgar tuas partes.

Voltaria pelo gosto
 mas roubei teu paladar.
Eu sou um preto pelado
Eu sou um preto vagabundo
Um preto que não presta
Um preto dançarino
Um preto ossudo
Um preto sem dinheiro
Um preto cantor
Um preto fingidor
Um preto cachaceiro
Um preto de boca cheia
Um preto imoral
Um preto desonesto
Um preto que não dorme
Um preto corajoso sai de madrugada
Um preto que pediu arrego
Um preto que não tá com nada
Um preto mesmo
Bem preto
Preto da mão enjoada
Um preto do lado beco
Um preto da calçada
Um preto desce por trás
Um preto desce
Um preto desse merece
Um preto
Um preto bacana
Um preto na lama
Um preto preso no peito
Três pretos de pressa tristes
Pretos com peso no peito
Um preto de uma mansidão enorme
Um preto enquanto o outro dorme.

com gozo e fúria, eu

Furioso não posso escrever
não posso lavar louças
posso quebrar os pratos
posso quebrar os restos
posso quebrar o ralo
me enfiando goela abaixo
posso não resistir e
não ser escorregadio
posso quebrar um rio
sufocar um rim posso
quebrar as pernas num
passo que eu der pra trás
posso ser escorregadio demais
posso posso cochilar
Posso posso não dormir
Posso posso afundar
perpassar simborcar
Afligir posso até não ter dois olhos
Que se chorem em tinta
Mas eu tenho novidades
Sei me segurar
com as pernas de alfinete
como as nódoas na garganta
como os goles magoados
que eu queria vomitar
posso posso furioso
Passar por você
Da sala para cozinha
Da sala para o banheiro
da sala para o inferno
Para o quarto nunca mais
Para o raio que me parta
do puto que me fugiu
Do mundo que eu não conheço
na noite que eu sinta frio
posso apenas poderíamos
Pudéssemos mais
  Para um menino de dezesseis anos que mora aqui perto de casa e enlouqueceu


Bem que eu sonhei! Uma infantaria o despertou do sono ou os homens o deixaram escapar do poleiro? Qual é mesmo o nome daquele pássaro que passa em bando de manhã ou no fim da tarde e o seu canto é um barulho infernal? Deve ser tão difícil enlouquecer aos dezesseis... tende-se a confundir com adolescência. Quanto mais você tremer as mãos, mais será insustentável a verdade. Vai ver que só uma visitinha aos amigos imaginários. Só consigo ver uma mãe inconformada ariando panelas, panelas gigantes, panelas grossas de gordura, panelas dela, panelas dela não. Um pai não vejo. Deve haver algum. Talvez os pássaros. Qual o nome mesmo? O cachorro no saco do lixo achou um pedaço de carne. Olha o pai correndo ali num beco. Olha correndo ali no outro. Por ali. Por ali não. Só temos quatro bequinhos e em nenhum deles.
Se eu repetir a história perde a beleza.
Tem um trocado pra mim comprar um cigarro?
Tenho não mas já sei o nome do pássaro:
Passado.


Grosso

Talvez eu estivesse cansado. Posso ainda recordar bem os tempos de fineza. As palavras engrossaram feito bananada preta. Os cabelos engodaram. Talvez eu os corte no pezinho com uma tesoura fina. Eu poderia contar as moedas e ir me amargurar em praça pública, mas hoje eu fico. Em que tempo os verbos estão? Pergunto já saindo. Saindo de fininho que é pra não ouvir resposta. Quando é dor de amor até Deus te dá as costas. O onipotente não se perderia nas miudezas humanas.
Que idade eu teria agora se no dia em que nos conhecemos eu tivesse ficado na minha mesa paralisado de medo diante da tua presença? Será mesmo que o destino seria assim tão implacável, nos colocando cara a cara tanto assim, até o dia bonito em que nossos gritos se misturaram? AMOR ME PUXE PARA DENTRO DE MIM! Tá doendo escapulir. Eu eu moído moído de coragem e tu tu tu tu tu.
Li um conto. Não era uma história de amor. E nos amamos cada dia ao telefone ao bar ao sol ao vento ao ônibus ao nosso quarto ao mundo a noite ao amanhecer aos olhos aos outros a distâncias ao silêncio aos moinhos as lágrimas. Cada pedaço... Cada lugar... A casa era e nunca viajamos juntos...
Eu sou uma grande gota de água derramando da goteira. Eu não ouço a chuva. Eu não consigo respirar. Onde estão as tuas palavras? Quem cuspiu no meu silêncio? Eu eu moído moído e só: tu tu tu tu tu.
Parece que um trator passou pela casa, eu diria. E tu se reviraria na cama e tarde demais estamos atrasados. Se você chorar feito criança eu te faço uma promessa. Por favor, chore mais uma vez. Eu estou ficando cansado. Vamos ver um filme. Apague as luzes e não abra a janela, hoje dormiremos antes do tiroteio. E o beijo de boa-noite? Tu tu tu tu tu...
Estarei atrás da porta, bem debaixo do tapete, esperando ouvir Saudade. Deixe o catarro me sair do peito. Amanhã estaremos aflitos se Deus quiser.

A mulher que salvava passarinhos

                       Para minha mãe


A mulher que salvava passarinhos
Era carente de asas
Querme sempre bem
Não a vejo em outra palavra
Sabe cantar como cantam
Coisas da fé como os santos
Sabe cozer o do corpo
Sabe mover-se na casa
Sabe colher passarinhos
Quando estão adormecidos
Sabe acolher os aflitos
As meninas os meninos
As barrigas os sobrinhos
A velhice a cegueira
Mesmo as menores besteiras
Como são os passarinhos
Eu acredito nos anjos
Da mulher dos passarinhos
E acredito no cântico
Como são os passarinhos
Não desejo transgredi-la
Nem preciso ir longe dela
Quero saber acolhê-la
Como são os passarinhos
Quem sabe dar acalento
Que só dão os passarinhos
Como canta a mulher
Como colhe passarinhos
Como sabe bem de tudo
Como a amo
Passarinho.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Aquele banho de mar raivoso e feio
Aquele banho de mar infeliz
Aquela banheira rancorosa
Água entupindo a cabeça
Para sempre o desequilíbrio
A raiva da vida no coração do anfíbio
Aquilo


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Cão

Ao espetáculo Baldio

Eu tinha um cachorro que se chamava Adeus.
Adeus era um latido quase humano.