domingo, 26 de junho de 2016

com gozo e fúria, eu

Furioso não posso escrever
não posso lavar louças
posso quebrar os pratos
posso quebrar os restos
posso quebrar o ralo
me enfiando goela abaixo
posso não resistir e
não ser escorregadio
posso quebrar um rio
sufocar um rim posso
quebrar as pernas num
passo que eu der pra trás
posso ser escorregadio demais
posso posso cochilar
Posso posso não dormir
Posso posso afundar
perpassar simborcar
Afligir posso até não ter dois olhos
Que se chorem em tinta
Mas eu tenho novidades
Sei me segurar
com as pernas de alfinete
como as nódoas na garganta
como os goles magoados
que eu queria vomitar
posso posso furioso
Passar por você
Da sala para cozinha
Da sala para o banheiro
da sala para o inferno
Para o quarto nunca mais
Para o raio que me parta
do puto que me fugiu
Do mundo que eu não conheço
na noite que eu sinta frio
posso apenas poderíamos
Pudéssemos mais

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