Talvez eu estivesse cansado. Posso ainda recordar bem os tempos de fineza. As palavras engrossaram feito bananada preta. Os cabelos engodaram. Talvez eu os corte no pezinho com uma tesoura fina. Eu poderia contar as moedas e ir me amargurar em praça pública, mas hoje eu fico. Em que tempo os verbos estão? Pergunto já saindo. Saindo de fininho que é pra não ouvir resposta. Quando é dor de amor até Deus te dá as costas. O onipotente não se perderia nas miudezas humanas.
Que idade eu teria agora se no dia em que nos conhecemos eu tivesse ficado na minha mesa paralisado de medo diante da tua presença? Será mesmo que o destino seria assim tão implacável, nos colocando cara a cara tanto assim, até o dia bonito em que nossos gritos se misturaram? AMOR ME PUXE PARA DENTRO DE MIM! Tá doendo escapulir. Eu eu moído moído de coragem e tu tu tu tu tu.
Li um conto. Não era uma história de amor. E nos amamos cada dia ao telefone ao bar ao sol ao vento ao ônibus ao nosso quarto ao mundo a noite ao amanhecer aos olhos aos outros a distâncias ao silêncio aos moinhos as lágrimas. Cada pedaço... Cada lugar... A casa era e nunca viajamos juntos...
Eu sou uma grande gota de água derramando da goteira. Eu não ouço a chuva. Eu não consigo respirar. Onde estão as tuas palavras? Quem cuspiu no meu silêncio? Eu eu moído moído e só: tu tu tu tu tu.
Parece que um trator passou pela casa, eu diria. E tu se reviraria na cama e tarde demais estamos atrasados. Se você chorar feito criança eu te faço uma promessa. Por favor, chore mais uma vez. Eu estou ficando cansado. Vamos ver um filme. Apague as luzes e não abra a janela, hoje dormiremos antes do tiroteio. E o beijo de boa-noite? Tu tu tu tu tu...
Estarei atrás da porta, bem debaixo do tapete, esperando ouvir Saudade. Deixe o catarro me sair do peito. Amanhã estaremos aflitos se Deus quiser.

...forte
ResponderExcluir