domingo, 29 de dezembro de 2013

Flor sofrida

A musa inspiradora
fez nascer poetas através do tempo
e brilhou nua em flor
para orações e mantras .

Fez nascer sorrisos de criança
em gente de tanta dor.
Mas no  destino foi explorada
por homens de mal valor.
Hoje a musa vendida
causa lucro e terror.

Nas vielas e no becos ,
do mundo inteiro, ela está,
esmagada ,queimada,oprimida
me põe no ponto de partida ,
pensando na triste vida
 da musa prostituída.

Fascínio

Fascínio ,
eu vi a mudança chegar,
 arrastar gente pelo chão ,
 levar à algum lugar
 ou tragar na multidão.

Fascínio,
 tinha rios, lagoas ,peixes ,tinha.
Fruta no pé, manga , caju, tinha.
Felicidade, amizade , inocência, tinha.
Tinha sossego , liberdade , passeio ,tinha.

 Fascínio,
 pedra sobre pedra ,prédio.
Luxo sobre luxo , somos lixo.

Fascínio,
somos a refeição , eles não.
Eles são alguem ,  somos nada.

Fascínio,
delirando com o olhar na direção errada.
Contra isso transmito
meu fascínio por nada.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Anti-herói

Correr infelizmente
e suar infelizmente.
Nunca chegar,
nunca vencer,
nunca amar nem ser amado.
Só sofrer,
só correr
e suar
 e penar
 e nunca chegar infelizmente.
Assim me sinto
 diante do presente futuro,
correndo, suando,
 insignificante, imaturo
com calor na alma e frio na espinha.
Correndo no suor,
suando para fingir,
sofrendo por sorrir,
sorrindo para ninguém
em silêncio.
Incendiando sem perceber,
faminto, imbécil,
explorado, vazio.
Torturado até suar.
Correndo até nunca mais
só assim irei chegar.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Febre


Estou doente,
a enfermidade impiedosa está me apodrecendo,
das unhas dos dedos menores dos pés
 ao ultimo fio do meu crespo cabelo.

Estou doente
e ninguém me entende.
Meu último neurônio está sendo roído
nesse momento,
na velocidade das palavras que eu vomito.

Estou doente dos olhos;
doente dos ouvidos;
doente do coracão;
doente de vontades;
doente de sonhos;
doente de fragilidades;
doente de frustrações;
doente por dentro e por fora.

Estou doente
 e a ciência , medíocre ciência ,
 não criou o remédio que cure
 a doença que me cerca e me assombra.
e não á fé e nem crença
 e nem benzedeira capaz
 de me curar da doença em que vivo ,
 a febre da falta de paz.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Espetáculo

Parte 1

Eu, tolo.
Tolo!
Debruçado em poesias numa tarde tranquila.
Deixei que o ruido da morte, passasse
sem ao menos ser notado.

Pela manhã, eu previ essas tragédias.
- Mas eu sou tão desatento!

Quase noite.
Eu, mergulhado entre letras de uma historia estranha.
De repente, um choque.

Morri!
Morri!
E quando riram (Não sei o motivo) Morri!


Parte 2


Uma pedra.
Uma faca.
Um tiro.
Gente, grito, gente...
Para lá e para cá.  
- Que bela dança!
Meu maldito inferno.

Na rua ao lado,
A morte fazia seu espetáculo perfeito.
O sangue e a lama se uniam.
- Um show bonito, pra ninguém botar defeito!

Morri junto ao miserável na rua ao lado,
Que aos quinze já matou mais de cem.

Uma pedra.
Uma faca.
Um tiro.
Sirene, luzes vermelhas.
-Bravo! Bravo! Bravo!
Fecham se as cortinas;
Retornam aos lares;
Sorrisos, música alta.
-Que belíssimos espetáculo acabamos de viver!

-Silênico, vai começar o culto, vamos orar e esquecer.



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Corpos celestes em chamas

Ontem,
Meu mundo virou bunda-canastra.
Estava perdido.
As estrelas sumiram, a lua também.
Eu não tinha universo,
cada verso pensado
Me sumia, vadio
E eu abandonado,
Me queimava de frio.

Hoje,
Manhã de sol negro,
Segurei o ultimo suspiro da memória.
Frágil recordação
Do samba
Que os gigantes fizeram no meu terreiro
Sobre meu corpo
 Morto.

Amanhã,
Quando tudo foi cinzas,
Que alegria!
Eu era leve

E o vento me levaria.


domingo, 3 de novembro de 2013

Paraiso

Alguém , por favor,
 pode me dar uma informação?
Eu gostaria de saber
 o motivo da comemoração.
por que tem tantos fogos no meu céu,
se só vejo sangue no meu chão?

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ECO OCO

No oco do mundo oco
Cada dia eu caio um pouco.
Cada vez que me distraio
No oco do mundo, eu caio.
Vou recolhendo enquanto afundo,
pedaços de quem está no fundo.
Me preencho dos restos
dos ocos
que cairam no oco do mundo.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Carta negra

Presencio. Presenciei. Presenciarei.
Lutas abruptas, sangue, gentileza, sonhos de revolução. Aos novos tempos! Aos novos cep’s! Aos velhos vinhos ! Ás trágicas boas novas em arrojados orgulhos e livros e filmes, Deus me livre! Às vezes eu quero os extremos, morte, ressurreição. Mas eu amo meu coração, minha família. Meus antigos, meus novos amigos. Meus antigos, meus novos projetos. Meu antigo, meu novo jeito.
Isso sim é liberdade, meus caros. O sangue correndo, o peito pulsando, ar puro. Liberdade é nunca esquecer o caminho de casa. Liberdade é seguir em frente e abraçar sua história. É como cabelo penteado toda manhã antes da luta, ele se permite ser moldado pelo vento, sol, caminho.
Jamais esquecerei tudo que virá. Aos que lembram quem eu sou, eu não os esqueci. Aos que aqui estão eu abraço esse momento.
Presencio. Presenciei. Presenciarei.
Tudo muda, tudo fica, tudo passa. Tudo acontece nas idas e vindas da luta. Triste é não se permitir.




Sonhos finitos

No fim do dia,
A sopa de pedra.
O sonho com rio,
Estrada, liberdade.
A “infinita highway
Não passa de uma vontade.
O “sapato 36” sempre,
Sempre a apertar.
Labirinto de sonhos finitos
Não consigo me encontrar.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Fundo do poço



No fundo do poço
Posso tudo.
Ir e vir, sem fingir,
Ser quem sou na poeira do profundo poço,
Único lugar em que posso.



quarta-feira, 31 de julho de 2013

A coragem

E ele parou e olhou as estrelas, cores, flores e vozes. Tudo a sua volta dançava com alegria sem motivo.
- As coisas a minha volta hoje estão tão vivas, parece até que eu morri... – disse   João sem-medo paralisado de medo.
 E uma lágrima caiu daquele olhar antes seco e ressuscitava então mais um homem na terra, cheio de vida e medos, nobres medos.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Indefinição

No ônibus
Eu e a vítima
Somos a vítima
Da vítima da vítima
Do grande culpado.

Na rua
Eu e as vítimas
Somos todos vítimas
Da fera.

Na igreja ou na televisão
Eu e as vítimas
Somos irremediáveis
Vítimas medievais
Da sedução.

No beco escuro
Ou no pé do arranha-céu
Digo adeus

E ...

domingo, 28 de julho de 2013

Repente

Prometo lembrar sorrindo
Dos trocados na bota suada,
Do quão doce eram os dias,
Que tu vinhas com tua sacola.

Desse dom divino de ser rei.

Se de hoje em diante
Eu só ouvir Gonzaga
Com os olhos rasos d’água,
Não é tristeza, nem despedida,
É tua energia pura e viva
Em minh’alma e nessa casa.


sábado, 13 de julho de 2013

Escrevi palavras tristes
 
sorristes

Perda

Palavras sobre as pedras
Pedras sobre as palavras
Pedras lançadas ao rosto
Rostos nas pedras rachadas

Terno

Paramos
Entre a dialética,
fazer ou não por ética?
Consistente e consciente da decisão,
bem articulada sua argumentação.
Convicto e convencido de sua posição
e que me prove o contrário quem achar que não.

domingo, 23 de junho de 2013

Confissão

- Assumo, eu uso drogas.
Fumo insônia,
Cheiro livros,
Injeto poesias.
Pela manhã vou a êxtase,
Viver mais um dia.

sábado, 1 de junho de 2013

Amnésia

O fraco, é fraco
não por que lhe falta força.
O fraco,é fraco
só porque se esqueceu,
pois a força que ele tem na lembrança
no caminho da memória para o corpo se perdeu.

Cotidiano

                Alheio e sem vez
                   estava eu , sonhando
                pensava em voltar no tempo que eu só ti perdia uma vez por mês.

                Hoje ando fingindo,
                   vivendo anarquia.
               Lembro bem que ti perdia num domingo
                    mas eras minha ,por vinte e noves dias.
         


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Feitiço


Feito martelo,
insistente,
de hora em hora
programada.
Bate no peito
da gente,
gente que sofre
calada.

feito as portas
dos tiranos,
que estão sempre
 fechadas.
  Bate na cara
 da gente,
 gente que sofre
 calada.

Feito pra fazer sofrer o efeito.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Aeternum

 A saudade dá um nó no peito
 que só teu abraço sabe desatar.

Notícia

Na manhã de hoje, o jovem João jogou-se da ponte. Sumiu, mas passa bem, pois caiu no horizonte.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Gente grande


Só sabia do tal carinho
 quando eu era uma criança,
 que um abraço me calava ,
o afago me guardava,
 é que nada me faltava.

 cresce o coração.
 cresce vontades.
 cresce o vazio.

sábado, 18 de maio de 2013

A língua dos anjos


Rima pobre,
rima rica,
rica classe média-baixa ou alta.
Rima das misérias,
rima é tudo igual.
Esse negócio de rimar ou não
é um problema social.


A vida é grande (me convence  a voz)
e vazia.
A vida é muito mais que o seu fascínio por bons livros.

A vida continua ,chora
e vazia ( me ignora a voz).
A vida é só as noites de sono que eu perco escrevendo poemas que ninguém vai ler.

A vida me leva , me afoga, me banha.
A vida é como o mar e amar também.

A vida é o que roubaram de mim. (ou fui eu quem esqueci no ônibus?)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Á vida


Dia desses eu estava muito ocupado
Lendo livros variados,
 Pesquisando sobre a vida e seus significados
 e descobri que é verdade.
 Vocês tem razão .
 A vida é tudo que dizem
ou então , não.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Mãos


Minha mão livre,
Parou.
 Não caminha pelo corpo,
Não levanta mais copos,
Não enxuga lágrimas de dor.

 Minha mão livre,
Não dá adeus,
Não prepara meus cigarros
Só pede carona a estranhos ,
 E roga a Deus.

Minha mão liberta,
 Rasga poesias,
Veste minhas roupas,
 Para os ônibus,
Prepara magias.

Minha mão
não vai ao rosto alheio,
Se esconde no bolso durante o passeio.
Abre janelas e não pede esmola.
Lavo minhas mãos.

domingo, 21 de abril de 2013

Naurú


   Só se eu mudasse de planeta
                     Trocasse essas roupas       
                                                                           Virasse careta
      Se eu mudasse  o idioma
       Fosse cristão
           Tivesse decência, soberba
           Só se eu não desse asas a imaginação

Quem dera, meu Deus,quem dera!
Ter as respostas. Dominar a fera.
Saber os caminhos,atalhos,estradas paralelas,
e mudar o universo.




terça-feira, 2 de abril de 2013

Sétima.


Invente palavras novas
Erre o caminho de casa
Salte do avião sem paraquedas
Voe sem asas

Erre palavras
Voe á caminho de casa
Invente um avião sem asas

Salte palavras
Invente o caminho de casa
Crie asas e voe

sábado, 30 de março de 2013

Disse o homem.


Sou dono das minhas próprias palavras, ando com minhas próprias pernas e me tranco na prisão que eu quiser.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Pescador


Quando invento de ler Drummond
Fico meio assim
Em terceira pessoa,
E não á toa
Quando contemplo Vinicius
 Tudo vejo pelo lado bom.
  
Olha só, quão incrível é,
 Rir com Luiz Fernando Veríssimo
Pensar em tal poesia pura
 De ariano suassuna,
 De Florbela , de  Cecília,
 Frederico Garcia Lorca,
Quanto mais poesias eu leio
 Mais se cala a minha boca.


quarta-feira, 20 de março de 2013

João Sem-medo


O João Sem-medo
Amigo meu
Tinha um cachorro grande
Um muro com cerca elétrica
Um revolver carregado
E uma tatuagem no braço

Nenhuma namorada
Nenhum sorriso estampado
Sem amigo confidente
Vidro fumê
 Pra ninguém nunca ver seus dentes

Cara sério
 Cara séria
Não esbarrava em ninguém

João Sem-medo se escondia
E eu não entendia
Como ele sobrevivia

Assustava todo o mundo
Com o medo que ele tinha

terça-feira, 19 de março de 2013

Piracema



 No tempo em que as ideias nem chegavam ao papel, e o lápis e caneta já eram desconhecidos, eu fiz um barco. Mandei meu barquinho ao rio para que atravessasse o mundo, então choveu e ele por ser papel se desmanchou. No tempo que nem sabiam da existência das ideias e tudo que os homens faziam era dar risada, eu sentei para pensar e fiz um barco, dessa vez fazia sol e o meu rio estava vazio e meu barco ficou parado.

quinta-feira, 7 de março de 2013

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Aqui.


Aleluia!
Por minhas ruas.
 Meninos de favores amedrontam as ruas que eu passo, as igrejas aglomeram-se, incomodam-se e agregam. Nossos funerais têm fogos de artifício, nossos pais tem insônia.
Nós somos meio tolos,
Por isso sonhamos,
Por isso nos aventuramos entre os que passam á procura.
 Não sei se essa peste tem cura,
Nem se minha casa é segura,
Indeciso entre uma roupa da moda e uma armadura.
E tudo que eu quero é ir pra rua.



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A minha vida e todas as outras vidas que passam na rua.


Hoje renasci, e hoje pode ser ontem, amanhã ou ano que vem. Hoje eu tenho fé. Fé no peso dos meus ombros, fé nos meus piores dias, Fé na minha falta de fé. Hoje eu resolvi simples problemas de matemática, resolvi ser assim e simplesmente sai nu, resolvi deitar na rede e não fazer nenhum esforço, ver o verão passar e esperar a chuva. Hoje arrumei um emprego e trabalhei sem medo seis meses, juntei dinheiro suficiente para viajar ao lugar nenhum, troquei minhas roupas da moda por discos do rei Roberto, falei o que não devia exatamente onde devia e fui por onde achava incerto. Acendi duzentas velinhas e cantei parabéns pra mim, respirei todo o ar que pude, desfrutei de toda saúde, adormeci e não lembro o que sonhei, só sei que acordei num dia onde ninguém era feliz de verdade.
Hoje eu carrego por aí um coração cheio de vontades e paciência, com as mãos no bolso, assobiando a canção que eu mais detesto e hoje pode ser agora ou daqui a duzentos anos.

Fado


Meus pés sujos de vida
Poeira, alegria.
Minha cabeça cheia de vento
De nuvens, sonhos, poesias.
Meu peito manchado de sangue
Correria, amor, cigarros,
E minha barriga vazia.



Quando
Foi
 Que
Eu
 Nasci
 Poeta?
Quando foi que eu nasci, poeta?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


Em razão dos desapegos humanos e dos desenganos, nós nos desumanizamos á cada dor, nos tornando verdadeiras maquinas de fingir amor.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Fastio


        O homem saia de sua casa todas as manhãs com a mesma roupa, pegava o trem no mesmo horário, falava bom dia para as mesmas pessoas, tinha sempre as mesmas pressas e as mesmas contas para pagar, á noite a mesma janta, a mesma discussão com sua esposa, o mesmo sexo sem desejo, a mesma prece na oração antes de dormir e acordar no mesmo horário de sempre pra sair de sua casa pela manhã e tudo se repetir... Só não entendo porque ele sempre sorria. Deve ser o álcool.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Dolcie far niente


Desse em canto em tanto
Me sujo de novidades sérias
 O sangue pulsa sonho nas artérias
Eu ao mesmo não me lanço

 A vida não mais me embriaga
 Eu posso ser eu mesmo diferente
Na medida em que sigo em frente
O destino não é mesmo nada



Alheio


Estranheza
Vez por outra chove sem motivo
Água dos meus olhos tira o riso
Sem razão eu sobrevivo tonto
Aceito o jeito de ser e pronto
Defino-me assim com
 Estranheza
As frases riem da minha falta de beleza
A casa não existe por incerteza
E assim se vai à vida
Enquanto eu perco as corridas
 Definem-me assim com
Estranheza




domingo, 27 de janeiro de 2013

motivo para plantar.


                                         Vaso vazio não faz sorrir.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Cochilo


                                                      Se sim
                                                                         
                                                                         Se eu pudesse quebrar
                                                
                                                        Quebraria
                            
                              Quebraria todos
                                                       
                                                     
                                                           Todos os espelhos
                              
                                 
                                     Espelhos          da               minha                    mente

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Amor não correspondido


O suicida jura amores à morte
 Que dele foge e se esconde
Corre confusa pra longe
Teme quem não teme a ela

A morte se sente confusa e perdida
Ela que é assustadora, poderosa e temida
Quando encontra alguém que a ame
 Não se sente seduzida

E o suicida suplica
Venha a mim oh morte que amo
 Me leve contigo morte que é vida
Em ti encontro a liberdade e a cura das feridas

E a morte calada fica e no escuro some
A morte nunca mata alguém que chama seu nome