segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

desnoitar-se



Lá vem eu
banhado, lavado, 
sujo de mim.


Lá vem eu
depois de rodar,
gritar, pular,
chamar meu nome.


Lá vem eu
tropeçando em mim,
derrubando-me-confundindo.


Ó, lá vem eu
fugindo
de eu me perseguindo!


Lá vem eu
inundado, transfigurado.
Lá vem eu
de roupa nova.


Lá vem eu
sem mim.
E o que mudou?


Lá vem eu, mãe!
Maria!
Amanda!
Lá vem eu, má!


Por fim,
cansado,
venho-me sem voz,
no dia já claro
quase de cara
no espelho,
no chão.
 
  
 
  
 
  
 
  
 
  
  
 
  
 
  
 
  
 
  
 
  
  

Nenhum comentário:

Postar um comentário