terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Sacrifício
Sem abstrações nem metáforas
vim dizer-te que
quis morrer,
ontem anteontem e no dia anterior.
Porque há quem lucre com a vida.
Há uma linda mulher analfabeta
atravessando a rua
e suas formas são inúteis
aos olhos desse tempo.
Sei que ela também quis morrer
ontem anteontem e antes que eu nascesse
e percebesse que
atravessando a rua
ela também quis morrer.
Estou versando agora
sem abstrações nem metáforas
para dizer-te que
querer a morte
é normal
destes tempos
voláteis
onde, insuportavelmente frágeis,
nos submetemos.
E nossos filhos nascem
se submetem
e um dia, crescidos,
hão de querer morrer como nós
ontem anteontem e ainda agora.
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