“ –[...]Saiba
que detesto igualmente a filosofia da obscuridade e a retórica dos poetas.
Sobretudo, gosto que me respondam em prosa quando falo em prosa.
- parece-lhe
que poetei?”
Todos iremos comer calendários.
É tempo de
chuva no ano do proprietário.
Todo iremos
morder reloginhos.
É tempo de
estarmos o tempo todo sozinhos.
Não confiem
no poeta
Não ouçam o passarinho
Não amem
menina esperta
Não repitam
burburinho.
Cada vez que
o sino soa
Ali na treze
de maio
Meu peito
sente que ama
Meu corpo
sente um desmaio.
Nem deram
conta de mim
Nem sobrevivi nem nada
Já ouvi: não
faça isso
Faça aquilo e
aquilo outro!
Eu viro e
desassimilo.
Perto, paro
ponho tiro.
Aí depois de
não-pago,
Amargo qual
licor do inferno,
Á enfrentar o
sol deste inverno,
Entupir-me-ei
de álcool e maconha
Até que o
coração pare
Ou até que eu
perca a vergonha.
E então, não
faço ciência
De silêncio
nenhum.
Não confio no
poeta
Nem escuto
passarinho.
Amo somente,
sem querer, menina esperta
E repito
Repito sem
perder o pito
O burburinho.

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