quarta-feira, 18 de março de 2015

O burburinho


“ –[...]Saiba que detesto igualmente a filosofia da obscuridade e a retórica dos poetas. Sobretudo, gosto que me respondam em prosa quando falo em prosa.
- parece-lhe que poetei?”



 Todos iremos comer calendários.
É tempo de chuva no ano do proprietário.
Todo iremos morder reloginhos.
É tempo de estarmos o tempo todo sozinhos.

Não confiem no poeta
Não ouçam o passarinho
Não amem menina esperta
Não repitam burburinho.

Cada vez que o sino soa
Ali na treze de maio
Meu peito sente que ama
Meu corpo sente um desmaio.

Nem deram conta de mim
 Nem sobrevivi nem nada
Já ouvi: não faça isso
Faça aquilo e aquilo outro!

Eu viro e desassimilo.
Perto, paro ponho tiro.
Aí depois de não-pago,
Amargo qual licor do inferno,
Á enfrentar o sol deste inverno,
Entupir-me-ei de álcool e maconha
Até que o coração pare
Ou até que eu perca a vergonha.

E então, não faço ciência
De silêncio nenhum.
Não confio no poeta
Nem escuto passarinho.
Amo somente, sem querer, menina esperta
E repito
Repito sem perder o pito

O burburinho.

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