Pra se pôr
poesia no prato,
Uma rima, um
soneto, um decassílabo exato,
Um Q qualquer
de Drummond, uma prosa poemada,
Não é preciso
que tenha sofrido de fato.
Pra fazer um
poema bonito
Desses que
quem lê
Chora, pula,
dá grito
Basta um
cisco no olho
Basta um
canto de unha
Basta que tua
cueca tenha entrado na bunda.
Não espere o
seu grande amor te deixar;
Não espere
seu grande amor chegar.
Olhe, a ode
ao sapato encharcado na chuva da manhã
De segunda-feira
sem eira nem beira!
O leitor é
bobinho e o poema é besteira.
“Atirou o pau
no gato o menino.”
Eis, para ti,
um poema genuíno.
Faça um Poemantônio, um poema Gerônimo.
Não é
preciso, em si, ter fera, lepra, ou heterônimo,
Basta chamar
o poema, o poema vem vindo.
Mandar poema
embora, é poema.
Coçar a
cabeça e pensar no que fez, é
poema, com
certeza, é poema na hora.
Não escrever
poema, é poema.
Esquecer o
poema, é poema.
Apagar o
poema, é poema.
Recitar o
poema... Não.

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