sábado, 3 de janeiro de 2015
Mama
Ela é sensata na sua loucura de mãe.
Me entrega o pão
e diz que eu não olhe para os lados;
que eu não chore se não houver abraços;
que eu viaje se eu me sentir sozinho;
e que eu trabalhe se estiver com frio.
Ela é gritaria no seu silêncio de mãe.
Me deu um livro quando eu era criança
e disse que eu permanecesse nas páginas.
Morre de medo que eu vá na esquina,
mas quando ela virou as costas
eu fui correndo.
E como amei a esquina!
Ela é deserto na sua multidão de mãe.
Não tem um tostão para me dar
além da sua reza de fé cristã.
Disse-me que se houvesse sorte e deus
me daria, amanhã.
E amanhã já chegou, mãe.
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